328. CASTELO FORTE
“A minha salvação e a minha honra de Deus dependem; ele é a minha rocha firme, o meu refúgio.” Sl 62:7

Martin Luther (1483-1546)
Trad. Jacob Eduardo von Hafe
EIN FESTE BURG
Martin Luther (1483-1546)

1. Castelo forte é nosso Deus,
Espada e bom escudo;
Com Seu poder defende os Seus
Em todo transe agudo.
Com fúria pertinaz persegue Satanás,
Combate nossa fé, astuto e forte ele é:
Igual não há na terra.

2. A nossa força nada faz
Num mundo tão perdido,
Mas nosso Deus socorro traz,
Por Cristo, o escolhido.
Conosco está Jesus, o que venceu na cruz,
Senhor dos altos céus; e, sendo o próprio Deus,
Triunfa na batalha.

3. Se nos quisessem devorar
Demônios não contados,
Não nos podiam assustar,
Nem somos derrotados.
O príncipe do mal, com rosto infernal,
Já condenado está; vencido cairá
Por uma só palavra.

4. Que Deus a luta vencerá
Sabemos com certeza.
E nada nos assustará,
Com Cristo por defesa.
Se temos de perder família, bens, poder,
Embora a vida vá, por nós Jesus está
E dar-nos-á Seu reino.

     Lá por volta do ano 1500 da nossa era, estava triunfante o movimento da Reforma Religiosa na Europa. Iniciado por Martinho Lutero e coadjuvado por Melanchton, um leigo-teólogo, por Calvino, Zwinglio, Huss, Farel e outros, tomou logo conta de todos os países; mas no ano 1523, em Bruxelas, dois jovens, cujo único crime fora a sua profissão de fé na nova doutrina, foram queimados.

     Em honra a esses dois mártires, Lutero escreveu e compôs a música do seu primeiro hino: “Castelo forte”, o qual é uma paráfrase do Salmo 45. Leia-o.

     Martinho Lutero (1483-1546) é conhecido como o “Apóstolo da Reforma”. Foi, também, o pai do canto congregacional, pois, antes disso, não era costume a congregação cantar hinos. Os poucos hinos que havia eram cantados em latim, somente pelos oficiais da igreja. Foi ele que introduziu o cântico por toda a congregação.

     Lutero não era somente um poeta, era também um bom musicista. Escreveu músicas para diversos hinos e também sua letra. Era um bom cantor e tocava bem a flauta.

     Mas o hino em foco foi considerado como a “Marselhesa da Reforma”, pois todos os cristãos da Reforma cantavam-no com o mesmo entusiasmo dos patriotas da França. De fato, sendo a letra e a música de Lutero, este canto espalhou-se por toda a terra e tornou-se o hino oficial da Alemanha Protestante. Era cantado diariamente por Lutero e por seus companheiros. Até os inimigos da Reforma diziam: “O povo inteiro está cantando esta nova doutrina.”

     Assim, este hino cooperou muito no desenvolvimento da Igreja Cristã naqueles dias. Foi tão grande a repercussão deste hino que homens ilustres, artistas e musicistas de fama usaram-no em seus temas: o exército de Gustavo Adolfo contou-o antes da batalha de Leipzig, em Setembro de 1631; Meyerbeer usou-o como tema de sua ópera de fundo religioso, “Os Huguenotes”; Mendelsohn usou-o em sua “Sinfonia da Reforma”; Wagner utilizou-o em “Kaiser-Marsch” e João Sebastião Bach também o usou em uma de suas cantatas sacras. E hoje faz parte de todos os hinários sacros da Igreja Cristã

     Ele nunca morrerá, mas viverá para sempre!

Por Edgard de Almeida
Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL1 – Edições Cristãs

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