250. O TEMPO VAI PASSANDO
Arrebatamento da Igreja
“O Espírito e a noiva dizem: ‘Vem!’ E todo aquele que ouvir diga: ‘Vem!’ Quem tiver sede, venha; e quem quiser, beba de graça da água da vida.” Ap 22:17
| Anne Ross Cousin (1824-1906) Trad. Richard Holden (1828-1886) | RUTHERFORD Chrétien Urhan (1790-1845) Arr. Edward Francis Rimbault (1816-1876) |
1. O tempo vai passando; não tarda em despontar
O dia suspirado de meu Senhor chegar.
O mundo em seu pecado de mal vai a pior,
Porém, nós esperamos a Vinda do Senhor!
2. Espessas são as trevas; custoso é de acertar
Com o divino trilho em que convém andar;
Mas sempre o nosso Guia nos leva com amor
E o coração almeja a Vinda do Senhor.
3. É Cristo a rica fonte de graça, amor e paz;
Minha alma sequiosa Jesus a satisfaz.
E o doce refrigério conhecerei melhor,
Gozando-o plenamente na Vinda do Senhor.
4. Não é com seu adorno que a noiva se entretém;
Presente estando o noivo, vê neste todo o bem,
Nem eu anelo tanto da glória o resplendor,
Como Ele mesmo, o Noivo. Vem, vem, Jesus Senhor
A origem deste hino é assaz muito interessante, porque difere de todos os outros que até aqui temos comentado, isto é, todos aqueles foram produzidos pelos próprios autores, ao passo que este foi diferente; quem o escreveu em forma poética, foi inspirado pelas palavras proferidas por um consagrado servo de Deus, nos momentos finais de sua carreira neste mundo.
Trata-se do hino cujas palavras em português iniciam assim: “O tempo vai passando;/ não tarda em despontar/ o dia suspirado de meu Senhor chegar”, e cujas palavras finais de cada estrofe, sempre se referem à vinda do Senhor!
A autora, do original em inglês, é a Sra. Anne Ross Cousin, (1824-1906), uma dama escocesa, de Melrose, que a publicou pela primeira vez, em 1857, no “Tesouro Cristão”. Esta senhora da alta classe, era irmã do Dr. David Rosa Cundell e foi esposa do honrado pastor de uma das igrejas Livres da Escócia, o Sr. William Cousin.
Esta mesma senhora publicou, em 1876, um volume chamado “A Terra de Emanuel e Outras Peças”, contendo, além do hino que estamos historiando, mais outros 106, todos de uma boa e mui espiritual leitura.
Mas a poesia que deu o título ao livro, é a que tem sido mais apreciada pelos que falam o inglês. No entanto, quem inspirou a Sra. Anne Ross Cousin a escrever a poesia foi o Sr.
Samuel Rutherford, cujos sentimentos e expressões foram observados durante a sua permanência no leito de dor pela autora dos referidos versos.
O Sr. Rutherford, que nasceu em Nisbet, Roxburghshire, Escócia, em 1600, foi educado em Edinburg, recebendo o grau de Mestre em Artes, em 1621. Teve uma vida muito atribulada.
Como professor, cadeira de Ciências Humanas, ficou pouco tempo, porque o seu desejo mesmo, era ser pregador do Evangelho. Assim, logo se tornou ministro de uma pequena comunidade em Anwoth. Foi aí que se sentiu melhor, conforme suas próprias palavras: “Lá eu lutei com o anjo e prevaleci. Bosques, árvores, prados e montanhas são minhas testemunhas de que me empenhei numa verdadeira disputa entre Cristo e Anwoth”.
Mais tarde, recebeu dois convites para lecionar: um em Utrecht e outro em Hardewyck. Foi aí, então, que as perseguições começaram.
Uma vez foi intimado a comparecer perante a Alta Corte, em julho de 1636; outra vez foi expulso para Aberdeen. Depois de um período de sossego, foi novamente acusado de alta traição e intimado a comparecer perante o Parlamento. Mas a intimação encontrou-o tão enfermo e debilitado que dele recebeu as seguintes palavras: “Eu estou sendo chamado a comparecer perante a Alta Corte de Justiça, mas daqui a poucos dias estarei onde poucos reis e grandes homens estarão”.
Ele faleceu na cidade de Santo André, aos 20 de março de 1661. Na tarde anterior ao seu falecimento alguém lhe perguntou: “O que o Sr. pensa, agora, de Cristo?”. Ao que ele respondeu: “Oh, que todos os meus irmãos na terra possam conhecer o grande Mestre a Quem servi; e que paz tenho neste dia! Dormirei em Cristo; quando acordar serei semelhante a Ele! Esta noite a porta se fechará e ponho a minha âncora dentro do véu, e entrarei no sono eterno às 5 horas da manhã! Glória ao meu Criador e meu Redentor, para sempre! Viverei e adorá-lO-ei! Quero abraçá-lO! A Glória, a Glória mora na Terra de Emanuel”.
E precisamente às 5 horas da manhã, conforme ele previra, atravessou o vale da sombra da morte para chegar à Terra do Emanuel, onde foi fitar para sempre o Rei em toda a Sua beleza!
A tradução deste hino, em português, é do estimado irmão Richard Holden (1828-1886), e a música, RUTHERFORD é de Crétien Urban (1790-1845), com arranjo feito por Edward Francis Rimbault (1816-1876).
Convém reler o hino com muita reverência e meditação, pois mostra bem o sentimento que ia na alma do seu inspirador!
Por Edgard de Almeida
Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL2 – Edições Cristãs