29. FONTE SEM IGUAL
“…aquele, porém, que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede…” João 4:14

William Cowper (1731-1800)
Estrib. Martha Matilda Stockton (1821-1885)
Trad. Stuart Edmund McNair (1867-1959)
Ira David Sankey (1840-1908)

1. Há uma fonte sem igual
Que nos abriu Jesus:
Um secular manancial
Que nasce ali na cruz.

Foi amor, divino amor, fiel, veraz, sem fim,
Aquele amor que ao Salvador
Levou à cruz por mim.

2. A bênção desta salvação
A todos franca está;
Saúde e purificação
A santa fonte dá.

3. O vil ladrão e malfeitor
Que em Cristo confiou,
Embora grande pecador,
O Seu valor provou.

4. E nós, também, a salvação
Podemos alcançar,
Se nessa fonte de perdão
Quisermos confiar.

     É este o hino que ficou mais gravado na história dentre os inúmeros escritos pelo Sr. William Cowper, um inglês, nascido em Great Berkampstead, Hertfordshire, a 16 de novembro de 1731.

     Apesar de vir de uma família muito distinta, pois seu pai era pastor e seu tio, ministro da Justiça, contudo teve uma vida bem acidentada. Perdeu sua mãe aos seis anos de idade e aos dez anos foi mandado para um colégio interno, onde os meninos maiores muito o maltratavam. Ele era muito tímido e por isso sofreu muito nas mãos daqueles moleques. É ele mesmo quem diz: “Quase todos os dias eu estava no gancho” e vivia uma vida horrível e cheia de desapontamentos.

     Quando Cowper se tornou homem, escreveu uma poesia chama “Tirocínio”, na qual ele retrata bem o que um menino como ele sofre nesses colégios internos; as crueldades recebidas por ele, tornaram-no capaz de enfrentar, mais tarde, outras dificuldades.

     Alguns anos mais tarde ele ficou doente mentalmente e aí foi mais difícil ainda, tanto para os estudos como para a profissão de advogado ou juiz que por longos anos procurou, sem conseguir.

Nessa constante e longa luta, Cowper pensou que seria impossível ser salvo. Mas, em julho de 1764, sentado no jardim de sua casa e lendo as Escrituras, foi impressionado pelas palavras de Romanos 3.24-25 que dizem: “Sendo justificado gratuitamente por Sua graça mediante a redenção que há em Cristo Jesus; a Quem Deus propôs, no Seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a Sua justiça, por ter Deus, na Sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos”.

     O Espírito Santo atuou no seu coração através daquelas maravilhosas palavras e ali mesmo rendeu-se a Cristo, sendo salvo dos seus pecados. É ele mesmo quem conta o que aconteceu: “Não sei como, mas num momento, recebi poder para crer e o Sol da Justiça brilhou em meu coração. Vi claramente a suficiência do sacrifício feito por Cristo e o perdão através do Seu sangue; a completa e ampla justificação”.

     É assim mesmo. No momento em que cremos no Evangelho da nossa salvação, passamos da morte para a vida. Não leva anos, meses ou dias, para sermos salvos. No momento que olhamos para Cristo, com fé, somos feitos filhos de Deus! (João 1.12). Foi isso que trouxe paz e alegria na alma de William Cowper.

     Quando já tinha 34 anos de idade e tendo sido restaurado daquela enfermidade mental, uns amigos levaram-no para sua casa e lá, com outro amigo, João Newton, escreveu e compilou vários hinos, formando um hinário chamado “Olney Hymns”. Além dos 64 hinos dos quais era composto o referido hinário, William Cowper escreveu muitas outras peças mediante as quais foi considerado entre os primeiros na poesia inglesa!

     Além disso, ele lutou muito pela causa dos pobres e dos escravos; até os indefesos animais entraram nas suas poesias! Era também muito interessado em Missões Cristãs; como deve ser todo verdadeiro cristão.

     Assim, entre os inúmeros hinos escritos por ele, está o que comentamos e conta-se a seguinte história, muito interessante, a respeito dele.

     O Sr. Cross tinha um vizinho descrente, para o qual devotou grande interesse, pois estava enfermo. Tentou, por várias vezes, visitá-lo para falar-lhe da sua vida espiritual, mas sua mulher, instruída pelo marido, recusava sempre a visita de alguém que desejasse falar-lhe sobre religião. Mas este amigo não desanimou em suas tentativas e logo encontrou uma saída.

     Na vizinhança havia uma jovem cuja voz era doce e expressiva. O Sr. Cross lhe disse: “Mabel, você gostaria de cantar o hino ‘Há uma fonte sem igual’, junto àquela janela onde se encontra um homem enfermo?” Mabel ficou muito feliz em poder fazer aquele serviço para o Senhor e o resultado foi que a esposa do vizinho enfermo logo ofereceu a ela um lindo buquê de flores e, em poucos minutos, ela foi convidada a entrar no quarto; colocando o buquê sobre a mesa, começou a cantar o hino para o enfermo.

     Linha após linha, o hino foi entoado com toda a ternura que lhe era própria. O enfermo ficou tão emocionado que perguntou à moça, onde havia aprendido aquele hino. E ela respondeu que era na Escola Bíblica do Sr. Cross. O enfermo pediu, então, que o Sr. Cross viesse e lhe falasse. O que se passou, então, pode-se dizer em uma palavra: “Foi como um tição tirado da fogueira”.

     Mas o Sr. Cowper passou para a presença de Cristo no dia 25 de abril de 1800, com 69 anos de idade, deixando muita saudade. A letra do estribilho é de autoria da Sra. Martha Matilda Stockton (1821-1885). A tradução para o português foi feita pelo saudoso irmão, Sr. S. E. Mc Nair (1867-1959). E a música é do famoso e apreciado compositor e cantor Ira David Sankey.

Por Edgard de Almeida

Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL2 – Edições Cristãs

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