596. DIVINO AMOR
“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo
o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16
| Charles Wesley (1707-1788) Adap. José Ilídio Freire (1892-1987) | SAGINA Thomas Campbell (1777-1844) |
1. Como contar de Deus o amor,
Que o Filho amado ao mundo deu?
Quem poderá sondar a dor
Que meu Jesus, na cruz, sofreu?
Quero adorar ao meu Senhor
Por Seu divino e santo amor! (bis)
2. Oh, que mistério singular:
Jesus morrer por mim, um réu!
O próprio Deus aqui baixar
Pra me levar da terra ao céu!
3. Era Senhor, mas quis servir!
Maravilhoso o Seu amor!
Tudo pagou, pra redimir
A mim, indigno pecador!
4. Os meus grilhões Jesus quebrou
Com Sua poderosa mão!
Por Seu poder me libertou,
Não vivo mais na escravidão.
5. Condenação não temerei:
De Cristo sou e Cristo é meu!
É meu Pastor, Senhor e Rei,
Com Ele irei gozar no céu!
Este notável hino, adaptado por José Ilídio Freire (1892-1987), como muitos outros, teve também como autor, o célebre Carlos Wesley, nascido em Epworth Restory, Lincolnshire, Inglaterra, em 1707, e falecido em Londres, em 1788.
O panorama religioso da Inglaterra do século 18 foi mudado por dois irmãos: João e Carlos Wesley. Eles foram os dois mais novos sobreviventes da família famosa de Samuel e Susana Wesley.
Ambos nasceram em Epworth Restory; ambos foram grandemente usados pelo Senhor em seus respectivos lugares durante o reavivamento espiritual de âmbito nacional, em seus dias; e ambos são, atualmente, contados entre os homens notáveis da Inglaterra, na Abadia de Westminster.
No princípio do século 18, o costume de frequentar a igreja, na Inglaterra, era negligenciado e corrupto. O clero era mundano; as reuniões falhavam frequentemente e a visita à igreja era quase desconhecida.
Em Epworth, no entanto, as coisas eram bem diferentes porque lá Samuel se esmerava num fiel ministério para o Senhor. Ainda que em circunstâncias adversas, por causa da pobreza, e, às vezes, sem poder satisfazer as próprias necessidades da vida, a sua fé e a sua moral sempre foram do mais alto padrão e isso ele procurava compartilhar tanto ao seus paroquianos quanto aos seus familiares.
Porém, talvez, a figura central daquele lar na comunidade de Epworth era a mãe, Susana Wesley; uma senhora notável pela fé e dedicação com que cuidava dos seus dois filhos, tanto física quanto espiritualmente.
E, tendo uma mãe tal como Susana Wesley, os filhos foram, realmente, muito abençoados. Carlos Wesley, com a idade de 8 anos, deixou o lar para ir para o Colégio Westminster, em Londres. Tornou-se logo o primeiro da escola e, após dez anos, ganhou o prêmio de melhor estudante.
Foi muito brilhante na matéria eclesiástica e alcançou seu diploma de grau superior com a idade de 21 anos! Os seis anos seguintes foram passados em Oxford, como Reitor do Colégio e, mais tarde, em companhia do seu irmão João, deixou a Inglaterra e foi para Georgia, na América do Norte. Mas sua experiência lá foi um desapontamento e logo voltaram para a Inglaterra.
O despertamento espiritual e a conversão de Carlos Wesley a Deus tiveram lugar logo depois do seu retorno à Inglaterra. Tendo ficado doente na casa de um amigo, em Londres, recebeu a visita de um crente moraviano, Peter Bohler. “Você tem esperança de se salvar?”, perguntou-lhe Bohler. “Sim”, respondeu Carlos. Então Bohler perguntou-lhe em que baseava a sua esperança. “Na base de que tenho feito os meus melhores esforços em servir a Deus”, respondeu Carlos; ao que Bohler sacudiu a cabeça, mostrando-se insatisfeito com a resposta.
Este simples encontro foi usado pelo Senhor para impressionar o coração de Carlos Wesley, a fim de sentir a sua necessidade pessoal de salvação. Ele a almejou e a encontrou.
Esta inesquecível experiência teve lugar num domingo, dia 21 de maio de 1738. Quando a Sra. Turner, uma pobre moraviana, falou-lhe das palavras de luz e de vida, ele exclamou: “Eu creio, eu creio”. Naquele mesmo dia Carlos leu no seu livro de orações as palavras do Salmo 40: “E me pôs nos lábios um novo cântico, um hino de louvor ao nosso Deus”.
Estas palavras foram como que proféticas, pois nos anos seguintes Carlos Wesley escreveu nada menos que 6.500 novos hinos de louvor a Deus (o equivalente a um novo hino a cada três dias dos 50 anos). E, de 1738 a 1778, em conjunto com o seu irmão João, ele editou 39 diferentes livros de hinos e poesias sacras.
Os hinos de Carlos Wesley não são apenas numerosos, mas muitos são da mais alta qualidade espiritual. As opiniões de consideráveis comentaristas são as seguintes: “Em matéria de qualidade e quantidade, Carlos Wesley deu ao mundo de língua inglesa a sua mais rica herança de hinos sacros”.
A sua natural aptidão em expressar as idéias em versos, a completa educação clássica e um senso de urgência espiritual resultou em composições, muitas das quais, imorredouras.
Um outro comentarista disse o seguinte: “Wesley está tão embebido com as coisas grandes e isso nos confirma na fé, quando retrata para nós as coisas lá de cima. Somos elevados àqueles lugares tranquilos. Sentimo-nos nos lugares celestiais em Cristo” e acrescenta: “Os hinos de Wesley nos mostram como deve ser uma vida de santidade, cujo coração viu a Deus!”.
Carlos Wesley escreveu quando o país estava passando por um grande reavivamento religioso. Enquanto seu irmão João viajava de norte a sul, montado a cavalo, pregando o Evangelho eterno, Carlos passava aquela época reavivando a música sacra. Um comentarista disse a respeito disso: “João fez o país chorar, enquanto Carlos o fez cantar” e aquelas lágrimas de profundo arrependimento e os cânticos de plena redenção foram os sinais evidentes do maior reavivamento espiritual na experiência das nações e acrescentou: “O movimento que trouxe nova vida ao mundo, no século 18, está patente nos palpitantes versos de Carlos Wesley”.
A partir do momento de sua conversão a Deus, os hinos começaram a fluir de sua pena, hinos cujo tema era Cristo, o Redentor dos homens. E isto continuou assim até à sua morte, em 29 de março de 1788.
Com a idade de 80 anos, quando já não podia mais escrever, e pouco antes da sua morte, ditou à sua esposa o seu último hino; uma estrofe apenas, mas cheia de ternura e de beleza: “No fim dos anos e na extrema fragilidade,/ Quem poderá a um verme pecador remir?/ Jesus! Só Tu és minha esperança,/ Força de meu coração e carnes fracos./ Oh! como desejaria um sorriso Teu!/ E entrar na eternidade”.
Foi apenas dois dias após a sua conversão que Wesley escreveu estas palavras imortais, adaptadas pelo querido irmão José Ilídio Freire, cujas palavras fazem parte do hino que aqui mostramos. A música é do Sr. Thomas Campbell (177-1844).
Por Edgard de Almeida
Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL2 – Edições Cristãs