453. TU ÉS MINHA ESPERANÇA
“Descanse somente em Deus, ó minha alma; dele vem a minha esperança.” Sl 62:5
| Richard Holden (1828-1886) | MAMRE Friedrick Karl Ludwig Scholinus (1772-1816) |
1. Tu és minha esperança! Achou minha alma em Ti
A paz e a segurança que carecia aqui.
2. Depois de conhecer-Te, depois que Te abracei,
Receios mais não sinto da Tua santa lei.
3. A espada da justiça devia me alcançar,
Mas Tu levaste o golpe, Senhor, em meu lugar.
4. A morte que sofreste foi para me valer,
Servido como foste, meu Substituto ser.
5. Ah! Quanto amor mostraste, meu Salvador Jesus,
Por mim, quando aceitaste a amaridão da cruz!
6. Tua obra tão perfeita, de apreço divinal,
Com gosto Deus aceita: propiciação cabal.
7. É base firme e estável da nossa redenção,
Terreno inabalável de reconciliação.
8. Tu és o meu descanso, pois, pela fé, já vi
Que estou pra sempre aceito perante Deus em Ti.
Este é um hino, talvez, não muito cantado, mas que de grande valor devido à sua expressão, como diz a primeira estrofe: “Tu és minha esperança;/ Achou minha alma em Ti/ A paz e a segurança/ Que carecia aqui”.
Foi escrito pelo saudoso irmão Sr. Ricardo Holden, nascido na Escócia, em 1828, e falecido aos 18 de julho de 1886, em Lisboa, Portugal, com 58 anos de idade.
Na sua mocidade passou por muitas lutas íntimas, até que chegou o dia de se entregar inteiramente a Cristo. Depois disso foi um fiel servo do Senhor. Embora sendo criado, desde a infância, num ambiente puramente cristão, ele mesmo, infelizmente, não manifestava nenhum interesse em Deus nem em Sua santa Palavra. Vivia indiferente para com as coisas de Deus e crescia pensando apenas em seus próprios prazeres.
Aos vinte anos de idade sobreveio-lhe grave enfermidade e, pela primeira vez, pensou na morte. E, como não estava preparado, passou por grande aflição. Diz-se que, quando chegava à noite, meditava na aproximação do fim dos seus dias e, com isso, ficava sobremaneira perturbado.
Mas, uma vez passado o perigo, voltou à mesma situação anterior de indiferença para com Deus.
Durante um inverno, nos domingos à tarde, após o jantar, Ricardo Holden costumava abrigar-se num pequeno compartimento ao lado de sua casa, onde, sentado, aquecendo- se junto ao fogo, lia um livro qualquer. Numa daquelas tardes entre uma obra do famoso Shakespeare e um livro de religião, Holden escolheu o último, cuja leitura levou-o à conversão.
Lendo sobre a realidade da existência deste Ser Soberano e Onipotente, o Deus vivo e verdadeiro, o Supremo Criador e Juiz, sentiu profundo desejo de ser salvo. Depois descobriu como esse Deus Se revelou pelo Filho, o Qual veio ao mundo para salvar os pecadores. Sentindo-se pecador, confiou nEle e nasceu de novo, passando a regozijar-se no Senhor e na sua salvação!
Daí para a frente sua vida se tornou bastante ativa. Veio ao Brasil, onde dedicou-se à vida comercial. Depois, foi para os Estados Unidos, onde se formou em Teologia. Voltou para a Escócia e exerceu o ministério da Igreja Episcopal, naquele país e em outras cidades da Grã-Bretanha.
Em 1861 veio novamente para o Brasil, tendo trabalhado em Belém-PA e em Salvador, BA, mas devido à grande perseguição religiosa naquela época, voltou novamente à Grã- Bretanha, vindo logo em seguida, outra vez, para o Brasil, para cooperar com o Dr. Roberto R. Kalley, um, entre os primeiros missionários a trabalhar em nossa Pátria.
Foi mais uma vez à Inglaterra e lá ingressou no chamado Movimento dos Irmãos e, em 1874, casou-se com D. Catarina, da qual teve um filho, por nome Ernesto. Em 1877 o irmão Ricardo Holden foi trabalhar no Evangelho em Portugal, onde deu muita cooperação aos irmãos que estavam iniciando os trabalhos naquele País.
Escreveu vários hinos em português, compilou e lançou a primeira edição do hinário “Hinos e Cânticos”. Entre os muitos hinos que escreveu está o que estamos comentando. Convém ler e meditar em cada estrofe, com muita atenção, pois ele conta como Holden encontrou, em Cristo, a paz, a segurança e a esperança gloriosa de estar para sempre com o seu Senhor.
A música é de autoria de Friedrich Karl Scholinus (1772- 1816) e cai tão bem com as palavras; tão singela, mas tão profunda no seu sentimento!
Por Edgard de Almeida
Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL3 – Edições Cristãs