120. VINDE VÓS
“…eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido.” João 15:15

John Mason Neale (1818-1866) baseado num hino grego de Estêvão do Mar Saba (725-794)
Adaptador anônimo
STEPHANOS
Henry Williams Baker (1821-1877)

1. Vinde vós que, na tristeza, caminhais sem luz;
Quem vos chama com ternura é Jesus!

2. Vida, gozo, paz, descanso, tudo vos ganhou
Pela cruz, onde o Seu sangue derramou.

3. Não somente quer salvar-vos: quer-vos para Si,
Para serdes Seus amigos, mesmo aqui.

4. Tudo o mais abandonando, sem mais resistir,
Vinde, Seu amor e graça possuir!

     O mais precioso ouro está escondido nas profundezas da terra, esperando, silenciosamente, a chegada do trabalhador para trazê-lo para a superfície e extraí-lo do minério. Assim, também, algo de mais precioso tesouro na hinologia tem ficado, por muitos séculos, esquecido, aguardando alguém para desenterrá-lo e divulgá-lo. 

     Os mosteiros latinos e gregos têm guardado consigo grandes depósitos. Então, no século 19, dois mestres de obra nesses campos entraram em cena. O Sr. Edward Caswell (1814-1878), extraiu precioso tesouro dos Bernards, das minas latinas, enquanto John Mason Neale (1818-1866), penetrou nas até então inexploradas minas gregas e recuperou para nós algo de mais precioso ouro em hinologia. 

     No princípio da era cristã a perseguição aos crentes foi realmente dura e muitos cristãos perderam suas vidas no martírio. Durante a invasão dos maometanos, que avassalou a Ásia Menor, os cristãos tiveram que procurar refúgio em outros lugares. João Damasceno, que exerceu um alto cargo na sua cidade natal, sob o comando de um Califa muçulmano, abandonou tudo e, levando consigo um sobrinho de dez anos de idade, fugiu em exílio voluntário, para ficar o resto da sua vida no antigo Mosteiro Grego de Mar Saba. 

     Mar Saba fica a meio-dia de jornada distante de Jerusalém, num lugar horrível, onde o ribeiro de Cedron desaba num abismo, nas montanhas da Judéia, caminhando para o Mar Morto. Hoje em dia, o Mosteiro fica bem mais próximo de Belém, atravessando o deserto da Judéia. Mas o lugar é tão isolado e remoto que o coração fica desolado. 

     O mosteiro mesmo, fundado por St. Saba, no século V, fica à beira do precipício de Wady-en-Nar. 

     Da terra do Mosteiro até o nível do desfiladeiro, onde o ribeiro de Cedron faz o seu caminho, há uma altura de 300 metros. Assim, como um ninho de águia, pendendo perigosamente sobre a rocha escura, esta antiga instituição religiosa tem resistido às intempéries e aos ataques dos homens durante 1.500 anos. 

     Atualmente, é habitada por alguns monges da presente Igreja Ortodoxa Grega e nas suas paredes há evidências de um notável passado — seu “Sepulcro de St. Saba” exibe o corpo mumificado de seu fundador, herói de século V, enquanto que a “Câmara dos Crânios” mostra a fidelidade de quase 14.000 dos seus monges! 

     Pode-se ver, registrados nas paredes do Mosteiro, os nomes de vários cristãos que contribuíram para a hinologia cristã. Entre estes está o nome de João de Damasco e de seu sobrinho Stephen, (725-794). Este viveu no claustro de Mar Saba por mais de 60 anos até a sua morte no ano 794 d. C. e, a sua longa associação com a instituição St. Saba, deu-lhe o apelido de “Stephen de Sabaite”. É necessário lembrar que os versos do hino, no grego original, surgiram primeiramente nos muros daquele antigo Mosteiro. 

     Então, o hino, como hoje conhecemos, teve que aguardar a vinda do Sr. John M. Neale, no século 19. Neale era um gênio em literatura e também em poesia. Ele nasceu em Londres, em 24 de janeiro de 1818. Depois dos seus primeiros estudos, na Escola de Gramática de Sherborne, ingressou no Colégio Trindade, em Cambridge, em 1836. Sua carreira foi brilhante e reconhecido como um estudante exemplar. 

     Ele dominava 12 idiomas e tinha bom conhecimento de outros oito. Foi excelente tradutor de inúmeros hinos, entre os quais, este: “Vinde Vós”. O tradutor para o português, infelizmente, é ignorado. A música é de Henry W. Baker (1821-1877). 

Por Edgard de Almeida

Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL3 – Edições Cristãs

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