14. SUBLIME GRAÇA
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus.” Ef 2:8
| John Newton (1725-1807) Trad. Luiz Soares (1930-2003) |
AMAZING GRACE Ant. melodia americana |
1. Sublime graça que alcançou
Um pobre como eu,
A quem perdido e cego achou,
Salvou e visão me deu!
2. De vãos temores e aflição
A graça me livrou
E doce alívio ao coração
Em Cristo me outorgou.
3. Se lutas vêm, perigos há,
Se é longo o caminhar,
A graça a mim conduzirá
Seguro ao santo lar.
4. A Deus, então, adorarei
Ali, no céu de luz,
E para sempre cantarei
Da graça de Jesus.
Viajando pela Inglaterra, em direção às cidades de Oxford e Cambridge, passa-se por uma aldeia de nome Olney. Na pracinha dessa aldeia encontra-se uma casa, agora transformada em museu, onde se encontram os pertences de um famoso poeta inglês chamado João Newton (1725-1807). Foi ali que ele nasceu e viveu grande parte da sua vida.
Num canto do pequeno cemitério da aldeia existe uma lápide, quase coberta de mato, com a seguinte inscrição: “João Newton, servo de Deus, outrora um infiel e libertino, um servo de escravos na África; foi, pela rica misericórdia de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, preservado, restaurado, perdoado e escolhido para anunciar a fé que por longo tempo procurou destruir”.
Newton era filho de um capitão de navio que trabalhava no mar Mediterrâneo. Sua mãe morreu quando ele tinha apenas seis anos de idade e, com apenas dois anos de escola, juntou-se ao seu pai no serviço de bordo, isto, até a idade de onze anos. Sua infância, no entanto, foi marcada pela imoralidade, leviandade e pecado. Foi rejeitado pelo seu próprio pai devido a problemas com os seus empregados. Newton foi, então, preso e deportado.
Por alguns anos ele serviu em navios de escravos, onde foi humilhado pela mulher de um mercador de escravos, passando a ser “escravo dos escravos”.
Assim, em estado miserável, este homem do mar, caiu em si ao ler o livro de Thomas-à-Kempis, “Imitação de Cristo”. Mas a sua real conversão deu-se durante uma terrível tempestade, quando quase perdeu a vida.
Com a idade de trinta e nove anos, João Newton veio a ser um fiel ministro de Deus. Foi pastor na Igreja de Olney durante quinze anos e nesse período escreveu inúmeros hinos. Dentre os muitos hinos que escreveu está este, “Sublime Graça”, que parece ser um testemunho da sua conversão e da sua vida cristã.
A graça de Deus tem sido definida como o Seu favor imerecido. Foi esta graça que alcaçou João Newton. Ele ficou maravilhado quando aprendeu que Cristo amou-o e morreu em seu lugar. Foi esta graça que fê-lo consciente de que era um pecador (“que a mim, perdido e cego achou…”) e assegurou-o de que os seus pecados todos foram perdoados.
E assim é com todos nós. Somos grandes pecadores não só pelas transgressões feitas, mas também porque não cumprimos os padrões de Deus nas nossas vidas. E esta Sublime graça nos supre de tudo.
Como crentes em Cristo continuamos a experimentar cada dia esse favor imerecido através de nossa vida. Cada dia Ele nos perdoa as falhas se nós as confessamos. Cada dia Ele supre as nossas necessidades.
João Newton nunca mais cessou de se admirar da misericórdia e da graça de Deus para com ele. Sobre o armário da sua paróquia ele colocou os seguintes versículos bíblicos, que ali permanecem até o dia de hoje: “Enquanto foste precioso aos meus olhos, também foste glorificado” (Is 43.41). “E lembrar-te-ás de que foste servo na terra do Egito, e de que o Senhor teu Deus te resgatou” (Dt 15.15).
Newton nunca esqueceu o mar. No final da sua carreira como pastor na Igreja, certa vez subiu ao púlpito com o uniforme de marinheiro, segurando a Bíblia numa das mãos e o hinário na outra.
Sua memória já não funcionava tão bem, e, às vezes, esquecia o que estava pregando. Alguém lhe sugeriu que se aposentasse, ao que ele logo respondeu: “O que? pode um velho blasfemador africano parar enquanto pode falar?”.
Em outra ocasião, disse: “Minha memória está quasi nula, mas lembro-me bem de duas coisas: que eu sou um grande pecador, e que Cristo é um grande Salvador.
A tradução e a adaptação deste hino para o português foram feitas com muita propriedade pelo irmão Luiz Soares e leva o nº 14 em “Hinos e Cânticos”.
Compilado por Edgard de Almeida
Extraído da Revista VIGIAI E ORAI número 69 de Julho de 1994.