224. GUIA-ME, Ó DEUS
“Guia-me com a tua verdade e ensina-me, pois tu és Deus, meu Salvador, e a minha esperança está em ti o tempo todo.” Sl 25:5
| William Williams (1717-1791) Trad. Richard Holden (1828-1886) | ST. OSWALD John Bacchus Dykes (1823-1876) |
1. Guia, ó Deus, a minha sorte
Nesta peregrinação.
Fraco sou, mas Tu és forte;
Não me largue a Tua mão.
2. Nesta terra de inimigos
Ando às vezes com pavor;
Pelo meio dos perigos
Guia-me, meu Salvador.
3. Nutre, com maná celeste,
Meu faminto coração;
Com Teu manto me reveste;
Livra-me da tentação.
4. Fonte cristalina abriste,
Donde as vivas águas vêm;
Nesta luta amarga e triste
Quero aproveitá-las bem.
5. Já da morte, ó Cristo, as águas
Tu secaste para mim;
Esgotaste as suas mágoas,
Meu caminho vejo assim.
6. Só me resta a Tua glória,
Pois, em breve, voltarás
Pra me dar final vitória
E ao Teu lar me levarás
O País de Gales é geralmente conhecido como a terra do cântico. Dele saíram inúmeros compositores de hinos e, entre eles, temos o Sr. William Williams, que é tido como um dos maiores cantores de Gales.
William Williams, o quarto filho de John e Dorothy Williams, nasceu em 1717, na cidade de Cefn-y-Coed, próximo de Llandovery, no condado de Carmarthenshire, País de Gales.
Ainda jovem, sua família transferiu-se para uma cidade próxima, chamada Pantycelyn, onde viveu a maior parte da sua vida, ficando conhecido como “o Williams de Pantycelyn”.
Recebeu uma boa educação e seus pais queriam que ele fosse um doutor. Para isso, mandaram-no para a Universidade de Llwynllywyd. Aconteceu que um dia, quando retornava do colégio para sua casa, montado a cavalo, aproximou-se de uma pequena cidade, onde um pregador estava falando do Evangelho, ao ar livre, de cima de uma pedra de túmulo.
Diz ele que nunca havia ouvido uma voz assim, que parecia vir do céu e que falou muito ao seu coração. O pregador era o Howel Harris, um jovem evangelista metodista e a sua mensagem trouxe a salvação a William, então estudante de medicina, com 20 anos de idade!
Após poucos dias da sua conversão, William convenceu-se de que devia deixar o curso de medicina e devia tornar-se um médico de almas.
Com 23 anos de idade foi designado diácono da Igreja da Inglaterra e por três anos serviu em duas pequenas paróquias no sul de Gales. Por fim deixou as paróquias e juntou-se a outros três evangelistas, Howel Harris, Daniel Rowland e Howel Davies, e percorreu de norte a sul o seu país, despertando o seu povo da consciência do seu pecado e da necessidade de um Salvador.
Sofreu muita perseguição; viajava a cavalo ou a pé, proclamando o glorioso Evangelho. Howel Harris deu testemunho dele, dizendo: “O inferno treme quando Williams chega, e as almas são ganhas, diariamente, pelo irmão Williams, na rede-do-Evangelho”.
Ele faleceu em sua cidade, Pantycelyn, no dia 11 de janeiro de 1792, com 74 anos de idade, depois de longos e penosos dias de enfermidade. Quem visita o túmulo de William pode ler o seu epitáfio: “William Williams, um pecador salvo. Ele aguarda aqui a chegada da Estrela da Manhã”.
William Williams foi um grande homem de Deus; um grande teólogo e um grande pregador. Além disso, um grande poeta e um grande compositor de hinos, cerca de 800!
Surgido de uma zona rural, William usava muito o pano de fundo da natureza: o amanhecer, o pôr-do-sol, as montanhas, os campos, uma tarde de verão ou uma noite de inverno, etc., com o propósito de refletir as experiências da alma, crendo que o livro da natureza harmonizava bem com a revelação das Escrituras!
Este hino reflete um pouco da peregrinação do povo de Israel, durante os 40 anos através do deserto, até chegar à terra de Canaã. Como através do deserto o povo de Deus clama por um guia, proteção, suprimento, tal, assim, como o hino.
A tradução para o português é de Richard Holden (1828-1886); a música é de John Bacchus Dykes (1823-1878).
Por Edgard de Almeida
Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL2 – Edições Cristãs