296. SOL DA MINHA ALMA
“
“O Senhor é a minha luz e a minha salvação; de quem terei temor? O Senhor é o meu Forte refúgio; de quem terei medo?” Sl 27:1
| John Keble (1792-1866) Trad. João Gomes da Rocha (1861-1947) | HURSLEY Katholisches Gesangbuch Arr. Peter Ritter (1760-1846) |
1. Sol da minha alma és Tu, Senhor;
Noite não há, se perto estás!
Dissipa as nuvens do temor
E Te verei com calma e paz.
2. Sol da minha alma! Ó meu Jesus,
Revela a Tua glória a mim
E, recolhendo a pura luz,
Refletirei seu brilho aqui.
3. Qual brando orvalho, o sono vem
O corpo e a alma refrescar;
No peito do supremo Bem
Quão doce é sempre descansar!
4. Comigo o dia inteiro estás;
De Ti recebo todo o bem.
Comigo a noite passarás
E me darás descanso além.
Temos aqui um dos mais belos hinos cristãos dos últimos séculos. Como muitos outros, este também foi escrito por um ministro do Evangelho, o Sr. João Keble, que viveu entre os anos 1792 e 1866. Este autor cresceu num lar onde havia realmente influência cristã e, desde cedo, revelou-se uma pessoa de caráter forte.
Escreveu muitas poesias e este hino é tirado de uma delas, referente à noite. Era grande admirador das belezas naturais e isso é patente em muitos dos seus hinos.
Mas, acerca deste hino, conta-se uma história muito interessante e comovente. Diz-se que numa noite de horrível tempestade um navio soçobrou. Naquela mesma tarde, antes de vir a escuridão, uns homens viram, da praia, o navio que estava em perigo.
Cheios de coragem e esperanças, resolveram tomar um barco e sair ao seu encontro para ver se poderiam salvar algumas vidas, mas nem o navio encontraram!
Depois de muita procura e sem qualquer resultado estavam quase a ponto de voltar, quando ouviram, mais forte que o barulho das águas turbulentas, uma voz feminina cantando claramente as seguintes palavras:
“Sol da minh’alma és Tu, Senhor,
Noite não há, se perto estás!
Dissipa as nuvens do temor,
E Te verei com calma e paz”.
Seguiram a direção daquela voz e puderam, assim, achar um escaler do navio desaparecido, com umas poucas senhoras e crianças a bordo, que, sem remos nem velas, estavam flutuando à mercê das ondas.
Se não fosse pelo canto daquele hino, com toda a certeza, o pequeno barco cheio de vidas teria sido despedaçado pelas ondas bravias mesmo antes de chegar a manhã. Graças, porém, ao hino, aquelas vidas puderam ser salvas.
E até hoje, este hino tem sido de grande conforto para milhares de crentes em todo o mundo!
A música deste hino tem o nome da paróquia onde Keble passou os últimos anos do seu ministério e onde jaz o seu corpo; chama-se “Hursley”.
O arranjo da música foi feito pelo Sr. Peter Ritter (1760-1846) e a tradução para o português é de autoria do Sr. João Gomes da Rocha (1861-1947).
Por Edgard de Almeida
Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL1 – Edições Cristãs