31. CRISTO QUER SALVAR-TE
“…Ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.” 2 Pe 3:9
| William Williams (1717-1791) Trad. Richard Holden (1828-1886) | ST. OSWALD John Bacchus Dykes (1823-1876) |
1. Hoje Cristo quer falar-te, pobre pecador;
Nunca deixes de importar-te com o Salvador.
Cristo quer salvar-te, agora; ouve, pecador!
Não hesites! Sem demora, vem ao Salvador.
2. Pecador, por que é que ficas na condenação?
Nunca ouviste que bem ricas Suas graças são?
3. Ele deu a Sua vida, com divino amor.
Hoje a ti Jesus convida: Vem, ó pecador!
GUARDA O FORTE!
Desta vez apresentamos a história de uma música de hinos que aparece em alguns hinários com duas ou mais letras diferentes. É o caso desta música que conhecemos com duas letras diferentes e com o sentido evangelístico “Guarda o Forte!”.
Seu autor é o famoso hinólogo e compositor, Sr. Philip Paul Bliss (1838-1876). Ele nasceu de uma família pobre, descendente dos antigos puritanos, numa fazenda da Pensilvania, E.U.A., e dizem que as circunstâncias da sua infância pareciam tão desfavoráveis que não poderiam ajudá-lo a desenvolver o seu talento musical. Ele mesmo fabricava os seus rudes instrumentos com os quais produzia os sons maravilhosos da sua música.
A música que estamos considerando, “Guarda o Forte”, foi influenciada pela coragem e intrepidez de um grupo de soldados que defendera, heroicamente, uma fortaleza de Altoona, na América do Norte, durante a guerra civil, no ano de 1863. Quando tudo parecia completamente perdido, com todos desanimados por falta de alimento e munição, e com muitos feridos e sem esperança de salvação, eis que um grande corpo do Exército Federal aparece por detrás das montanhas e além das forças inimigas, fazendo sinais por meio de bandeiras, trazendo a seguinte mensagem: “Sustentai o forte! Vamos em vosso auxílio!”.
Com os ânimos redobrados e com novas esperanças, conseguiram lutar um pouco mais até que os inimigos foram derrotados e, por fim, foram salvos e libertados do cerco.
Philip Paul Bliss passou por aquelas cercanias sete anos após aquela batalha e, ao ouvir o relato do heroísmo daqueles soldados, logo lhe surgiram à mente as palavras e a música dum novo hino que seria o cântico de vitória dos cristãos: “Guarda o forte! Em breve Eu venho,/ diz o Salvador./ Respondamos: Venceremos / Pelo Teu favor”.
Com o seu fino tato espiritual, Bliss apoderou-se do histórico acontecimento da batalha e tornou-se um símbolo da vida cristã – um contínuo batalhar, sem descanso e sem quartel. Inimigos pertinazes promovem assaltos sem tréguas e a luta se prolonga tanto quanto a vida (Romanos 7.18-24).
Por vezes, esfarelados os muros da fortaleza, diminuídas as reservas de resistência e quase desfeitas as esperanças de sobrevivência, o desalento e o desespero nos aconselham a desfraldar a bandeira branca da rendição. Mas outras bandeiras, então, se desfraldam sobre a crista dos montes, pois o Anjo do Senhor se acampa ao redor dos que O temem e os livra (Salmo 121.1-2).
E, das montanhas da salvação, na imagem daquele monte descalvado, nos arredores de Jerusalém, o grande Capitão vem ao nosso encontro, pronto e poderoso para nos socorrer. Ele é o nosso socorro bem presente em toda angústia!
A referida música apareceu, primeiramente, numa coleção de hinos sacros usada pelos americanos no tempo das campanhas evangelísticas de Moody e Sankey, no fim do século passado.
Uma das letras, em português, de escritor anônimo, tem como título “Cristo quer salvar-te” e começa com as seguintes palavras: “Hoje Cristo quer falar-te, pobre pecador”.
Mas a história registra, ainda, um incidente assaz dramático na infância de Bliss. Quando tinha apenas dez anos de idade, passou por uma casa rica, onde alguém tocava piano. Era a primeira vez que ouvia aquele instrumento. Ficou tão encantado que subiu as escadas da casa, penetrou na sala onde se encontrava uma dama tocando e ali ficou de pé, parado e extasiado, a contemplar a linda dama. Quando ela terminou não pôde deixar de pedir-lhe que tocasse um pouco mais.
A dama, assustada com a presença inesperada do menino desconhecido, não compreendeu o interesse nem o ardor que o animava e mandou-o retirar-se dali. Esse incidente foi apontado, mais tarde, como sendo a origem de um outro hino de sua autoria, também muito conhecido, que se encontra em alguns hinários, cuja letra inicia assim: “Repeti-las inda outra vez estas palavras de vida. Que belas são! Que belas são! Essas palavras de vida”.
A outra, em português, é de autoria do Sr. S. E. Mc Nair (1867-1959), cujo título é “Tudo Cristo já tem feito” e começa com as seguintes palavras: “Ó mortal! Se tu redobras/ O teu trabalhar”…
Ambas as letras têm caráter evangelístico, tendo sido usadas para essa finalidade!
Por Edgard de Almeida
Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL3 – Edições Cristãs