348. MEU SENHOR ME GUIA
“Guia-me com a tua verdade e ensina-me, pois, tu és Deus, meu Salvador, e a minha esperança está em ti o tempo todo.” Sl 25:5
| Fanny Jane Crosby (1820-1915) Trad. Salomão Luiz Ginsburg (1867-1927) | ALL THE WAY Robert Lowry (1826-1899) |
1. Meu Senhor me guia sempre,
Perto dEle quero estar,
Confiando em meu Amado
Que me ensina a caminhar.
Paz perfeita, gozo infindo,
É fruir a proteção
De Quem sempre por mim vela
Com bondoso coração.
2. Meu Senhor me guia sempre,
Ensinando-me a viver,
Concedendo graça e força
Para eu mais na fé crescer.
Perecer jamais receio,
Pois quem pode arrebatar
Do Pastor qualquer ovelha
Que Ele sabe e quer guardar?
3. Meu Senhor me guia sempre,
Me corrige com amor;
Vida santa, glória eterna,
Me faculta o Salvador.
E mui breve vem o dia
Em que a plena redenção,
Corpo e alma transformados,
Os remidos gozarão.
Em qualquer lista cie autores dos grandes hinos da América, o nome de Fanny Crosby (1820-1915), aparece sempre em primeiro lugar. Assim como Carlos Wesley, escreveu ela milhares de poesias para os hinos, dos quais muitos passaram para o esquecimento, enquanto outros permanecem indelevelmente através dos anos. É o caso deste “Meu Senhor me guia sempre”, que ora apresentamos.
Este hino foi escrito por volta do ano 1860 e foi inspirado pela resposta a uma oração. Apesar de ser tão antigo, ele continua sendo um dos mais conhecidos e mais amados entre os hinos escritos por Fanny.
Alguns dos seus favoritos, cantados em louvor a Deus por muitos cristãos, são: “Salvo nos fortes braços”, “Sê Tu meu guia”, “Junto a Ti”, “Com Tua mão segura bem a minha” e muitos outros não citados.
A cegueira desde a infância deve deixar qualquer pessoa arrasada; no caso de Fanny, ela não lhe trouxe derrota, mas parece que trouxe maior suavidade e inspiração para as lindas peças poéticas por ela escritas.
Mesmo quando novinha, ela mostrava-se alegre e corajosa diante do grave problema que enfrentava e sua firme determinação de não se deixar abater ficou demonstrada já nos primeiros versos que escreveu quando tinha apenas oito anos de idade: “Oh, quão feliz eu sou!/ Embora não possa ver,/ Tenho resolvido que, neste mundo,/ Sempre contente serei./ Quantas bênçãos eu desfruto/ Que outros não podem;/ Chorar e lamentar porque sou cega,/ É coisa que não posso, nem quero”.
Anos mais tarde, quando escreveu o seu primeiro hino, ela convenceu-se de que havia descoberto a sua real missão nesta vida e disse com suas próprias palavras: “Sou a mais feliz criatura em toda a terra”.
Ela orava para que seus hinos evangélicos pudessem alcançar “um milhão de almas para Cristo”. Ela era fisicamente cega, mas possuía uma visão muito melhor — a gloriosa visão de Cristo e do Seu amor remidor, que muitos cristãos que têm vista física não possuem. Era esta visão que despertava nela uma profunda paixão pela salvação das almas sem Cristo.
Embora nunca tendo permitido que sua cegueira a oprimisse, alguns dos seus poemas apresentam palavras comoventes que descrevem a sua aflição. Um deles é o hino que estamos comentando: “Meu Senhor me guia sempre”. Ele sugere o quanto vale, para uma pessoa cega, uma forte mão para guiá-la!
Fanny nasceu na América do Norte, em 24 de março de 1820. Estudou numa Escola para cegos em Nova Iorque, onde depois passou a lecionar, atraindo personalidades importantes, inclusive presidentes dos Estados Unidos, pela excelência do seu dom poético.
Em 1858 casou-se com Alexander Van Alstyne, um músico, também cego e professor na mesma escola. Quando faleceu, em 12 de fevereiro de 1915, havia escrito cerca de oito mil hinos.
A tradução para o português é de Salomão Luiz Ginsburg (1867-1927) e a música, intitulada “All the way”, é do Sr. Robert Lowry (1826-1899)
Por Edgard de Almeida
Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL3 – Edições Cristãs