361. DESEJO ESCUTAR

“A voz do Senhor é poderosa; a voz do Senhor é majestosa.” SL 29:4

C. Austin Miles (1868-1946)
Adap. Stuart Edmund McNair (1867-1959)
GARDEN
C. Austin Miles (1868-1946)

1. Desejo escutar essa voz
Do meu Salvador carinhoso,
Pois a comunhão com Seu coração
Ao meu dá sempre gozo.

Cristo tem prazer em me conceder
A mim tal graça sem par;
Pelo Seu amor, meu Salvador,
A mim sempre quer falar.

2. Desejo com Cristo seguir,
Quero ser por Ele guiado,
Sim, aqui andar para Lhe agradar,
Bem longe do pecado.

3. A Cristo desejo servir
E fazer a Sua vontade;
Quero com Jesus caminhar na luz
Em paz e santidade.

     A letra, em português, que temos deste hino, foi escrita pelo saudoso Sr. S. E. Mc Nair (1867-1959), mas tanto a letra original como a música são de autoria do Sr. C. Austin Miles (1868-1946). 

     A tradução que temos em português, ainda que expresse um grande e nobre desejo do crente e a satisfação plena que o Senhor Jesus nos dá, contudo não expressa, exatamente, o que o autor, Sr. Miles, quis dizer no seu poema. 

     É ele mesmo quem diz em seu relatório o seguinte: “Um dia, em março de 1912, eu estava assentado na minha câmara escura, onde eu conservava meus apetrechos de fotografia e meu órgão, quando, então, abri a Bíblia e deparei com o meu capítulo predileto, João 20, onde se encontra o relato do encontro de Jesus com Maria Madalena, passagem esta que sempre foi para mim motivo de grande atração. E, ao ler aquela passagem, desta vez, senti-me como se estivesse participando daquela cena. Tornei-me como uma testemunha silenciosa daquele momento dramático na vida de Maria, quando ela se ajoelhou diante do seu Senhor e gritou: Raboni”. 

     “Sob a inspiração desta visão foi que fui escrevendo, rapidamente, as palavras que formaram este poema, exatamente como elas foram surgindo na minha mente. E, naquela mesma tarde, escrevi também a música”. 

     A tradução livre, do original, é a seguinte: “Eu venho sozinho ao jardim/ Quando o orvalho está ainda sobre as rosas/ E a voz que eu ouço, chegando ao meu ouvido,/ O Filho de Deus revela./ E Ele anda comigo, e Ele fala comigo/ E me diz que eu dEle sou;/ E o gozo que sentimos enquanto ali ficamos,/ Nenhum outro jamais conheceu”. 

     Assim, a exata referência ao Jardim do Getsêmani se torna mais notável, mais ainda, quando sabemos que C. Austin Miles estava escrevendo a respeito da primeira manhã da ressurreição e do jardim no qual o Senhor Jesus foi sepultado. Foi ali que Maria Madalena chegou, sozinha, muito de madrugada, “quando o orvalho ainda estava sobre as rosas”. 

     Quando Jesus falou-lhe pela primeira vez, Maria pensou que fosse o jardineiro, mas, quando Ele a chamou pelo seu nome, aí ela O reconheceu pela sua voz. Daí a sua exclamação: “Raboni”, que quer dizer: “”Meu Mestre!””. 

     E assaz difícil imaginar quais os sentimentos e as reações de Maria naquele momento. Ela havia visto Jesus morrer na cruz. Ela tinha vindo, agora, a fim de embalsamar o corpo de Jesus, que supunha morto, com as especiarias aromáticas. Porém, ali estava Ele, de pé, diante dela e falando com ela! Ele estava vivo! Deve ter ficado estupefata por um momento, mas, logo que Ele foi identificado, então o regozijo deve ter inundado o seu coração. 

     Não há dúvida que Maria não desejou outra coisa senão permanecer ali no jardim em companhia do Mestre — Aquele que a havia libertado dos demônios! Mas Ele ordenou-lhe que fosse e dissesse aos Seus discípulos o que havia acontecido. 

A experiência de Maria pode ser reavivada em cada um de nós se considerarmos o Cristo e apreciarmos a Sua presença na rotina do dia a dia. Nós, também, podemos “andar e falar com Cristo” e ter a certeza de que “pertencemos a Ele”. 

     Quando aproveitarmos o tempo para conhecer mais a Cristo, intimamente, através da oração e da meditação em Sua Palavra, também poderemos ter a mesma sensação que Maria teve, de permanecer em Sua presença, para sempre. 

     Mas, como ordenou a Maria, Ele também nos ordena ir aos outros e falar a respeito de Cristo, que morreu e ressuscitou para nossa justificação, trazendo, assim, outros a confiarem nEle para a sua salvação. 

Por Edgard de Almeida

Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL3 – Edições Cristãs

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