380. COMIGO FICA

“Fique conosco, pois a noite já vem; o dia já está quase findando. Então, ele entrou para ficar com eles. Lc 24:29

Henry Francis Lyte (1793-1847)
Trad. Eduardo Henriques Moreira (1886-1980)
EVENTIDE
William Henry Monk (1823-1889)

1. Comigo fica! Trevas em redor
Avançam, com tristeza e solidão.
Dos desvalidos grande Amparador,
Comigo fica, quando os outros vão.

2. A vida é curto dia que se esvai;
Prazer e glória breve têm seu fim.
Tudo é ruína, tudo passa e cai…
Tu que não mudas, fica junto a mim.

3. Preciso de ficar ao pé de Ti,
Em cada instante de penumbra ou luz;
Nas aflições, na vida que sorri,
Comigo fica sempre, ó meu Jesus.

4. Os inimigos não me assustarão
Se perto sinto a bênção que invoquei.
A morte já não tem seu aguilhão!
Comigo fica, ó Deus, e vencerei!

5. Nas trevas resplandece, ó Luz de amor!
Dos céus o rumo vem me revelar.
Em vida ou morte seja, ó Salvador,
Meu alvo, e Teu prazer, contigo estar!

     Este belo hino é de autoria do consagrado servo de Deus, o Sr. Henry Francis Lyte, nascido na Escócia, em 1 de junho de 1793. 

     No início dos seus estudos, Lyte desejava ser médico, mas logo sentiu que Deus o queria como pregador da Sua Palavra. Depois de servir a Deus como pastor por mais de 24 anos, na cidade de Brixham, Inglaterra, viu-se acometido por uma doença pertinaz, pulmonar, enfraquecendo rapidamente o seu estado físico. 

     Seu médico recomendou-lhe que deixasse aquela cidade e fosse para as regiões da Itália, onde havia mais sol e onde poderia fugir do ar salgado de Brixham, a fim de melhorar a sua saúde. 

     Lyte não gostou da idéia, pois amava muito o mar desde a sua infância e, agora, aos 54 anos, recebia o diagnóstico do médico como se fosse uma verdadeira sentença. Assim se expressou: “Espero que não seja necessário, pois nenhuma separação me seria mais penosa do que a do mar. Desde a minha infância ele tem sido o meu amigo e companheiro de folga e jamais me cansaria de o contemplar”. E mais: “As andorinhas estão se preparando para o voo e estão me convidando para acompanhá-las, porém, enquanto falo em voar, mal posso arrastar-me, e me pergunto se será possível deixar a Inglaterra”. 

     Parece que foi durante este estado físico e emocional que Lyte preparou o sermão que, sabia, seria o último para a sua Igreja a qual tanto amava. Seu último sermão naquela cidade foi proferido no dia 4 de setembro de 1847. 

     Foi grande o esforço que despendeu, nas condições físicas em que se encontrava, a ponto de muitos temerem pela sua saúde. Mesmo assim, após o culto, foi, pela última vez, à beira do mar, voltando, depois, lentamente, para a sua casa. 

     No final daquele mesmo dia, ele colocou nas mãos de um parente seu o hino “Comigo assiste, ó Deus”, que mais tarde passou a ser “Comigo fica”. 

     Pensa-se que Lyte, ao meditar na sua iminente saída de Brinxham, havia escrito o hino, em agosto daquele ano (1847). Porém, a primeira vez que foi divulgado, foi na data do seu último sermão. 

     Lyte, dois meses mais tarde, morreu, na cidade de Nice, ao sul da França, antes mesmo de chegar ao seu destino, apontando para o céu e dizendo: “Paz, Alegria!”. Assim partiu Lyte. 

Certa vez, um outro ministro visitava o cemitério de Nice, onde o autor deste hino fora sepultado, e encontrou lá, perto da sepultura de Lyte, com os olhos cheios de lágrimas, em atitude reverente, um jovem que lhe contou, com profundo sentimento, que fora levado a Cristo pela influência do hino de Lyte. 

     O Sr. Lyte escreveu, não somente as palavras, mas também a música deste hino e as entregou a um parente para as guardar. Embora o Sr. Lyte houvesse escrito a música para aquelas palavras, a que hoje se canta é composição do dr. William Henry Monk (1823-1889). 

     Conta-se que o dr. Monk a escreveu também numa ocasião de grande tristeza. Sua esposa disse que ambos estavam apreciando o cair da tarde e as glórias do sol que declinava. Quando o último raio do astro rei desaparecia, o dr. Monk tomou um pedaço de papel e escreveu a música, que agora é conhecida em toda a parte. A tradução para o português é de autoria do Sr. Eduardo Henrique Moreira (1886-1980). 

Por Edgard de Almeida

Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL3 – Edições Cristãs

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