420. É MESMO ASSIM
“E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.” 2 Co 3:18

John Nelson Darby (1800-1882)
Trad. Stuart Edmund McNair (1867-1959)
William Herbert Jude (1851-1922)

1. É mesmo assim! Qual meu Senhor vou ser;
Sim, transformado pelo Seu poder,
Poder do amor que ao Salvador moveu
Quando Ele a maldição da cruz sofreu.

2. Ó Cristo! Sei que Teu desejo é
Que eu mesmo agora veja, pela fé,
A Tua glória; prova desse amor
Que tem o Pai por Ti, meu Redentor.

3. E Tu nos dizes que Teu coração
Por nós sente uma tão grande afeição,
Que nessa glória Tu terás prazer
Em coerdeiros Teus lá receber.

4. Não como os homens, Tuas bênçãos dás;
Eterno gozo Teu favor nos traz.
Tens-nos amado com amor sem par
E nos convidas a fruir Teu lar.

     Este é um dos hinos escritos pelo Sr. John Nelson Darby (1800-1882), filho mais novo de um próspero possuidor de terras e comerciante de Markeley, Sussex, Inglaterra, e de Leap Castle, Irlanda.

     Darby nasceu em Londres, Westminster, em 18 de novembro de 1800. Seu nome Nelson foi adotado do grande Lord Nelson, sob quem um tio seu, o Almirante Henry Darby, serviu na batalha do Nilo. A mãe de Darby morreu quando ele era, ainda, menino. Ele recebeu a primeira educação na escola de Westminster e, com a idade de 15 anos, ingressou no Trinity College, em Dublin. Com 19 anos de idade fez o Curso Judicial e logo foi convidado para fazer parte do Tribunal de Justiça Irlandês. Uma brilhante carreira se deparou perante ele, com promessa de muita renda e altas honrarias.

     Mas Deus o estava chamando e, após profunda luta espiritual, ele abandonou a sua profissão legal e ingressou em um serviço na vida espiritual. Primeiramente, ele fez parte da Igreja estabelecida naquela época e, em 1825, foi ordenado como diácono, servindo um tempo como pároco da grande paróquia do Calvário, no Condado de Wicklow. Ali ele deu-se a si mesmo, sem reserva, ao trabalho, atendendo às necessidades físicas e espirituais dos pobres daquele lugar.

     Mas, muito cedo, Darby sentiu uma apatia, sem precedente, contra a Igreja estabelecida, onde poucos procuravam o bem das almas dos homens. Olhando ao redor, notou a frieza das igrejas com relação aos homens e, meio desnorteado, voltou-se para Deus e para a Sua Palavra, sentindo que poderia encontrar um guia claro para a sua vida.

     Logo se convenceu de que não tinha mais condições de continuar na Igreja estabelecida e, assim, resignou o cargo da sua paróquia. Ao mesmo tempo, outros, na cidade de Dublin e arredores, estavam, também, buscando direção nas Escrituras e o Espírito de Deus abriu os seus corações para a grande verdade, expressada mais tarde por Henry Groves, “da singularidade da Igreja de Deus, envolvendo comunhão grande suficiente para abraçar todos os santos e pequena suficiente para excluir o mundo”.

     Com muita oração eles encontraram o caminho que Deus revelara através de Sua Palavra e, na última parte do ano de 1829, Darby e mais três outros irmãos se reuniram pela primeira vez para celebrar o Partir do Pão. Uma sala, na Praça Fitzwilliam, na cidade de Dublin, foi o lugar da reunião e o Senhor mesmo foi o seu Centro de reunião, a Palavra de Deus, o seu guia, e o Espírito do Senhor presidia em suas reuniões. Foram dias preciosos aqueles!

     Além de grande pregador e ensinador, Darby também escreveu muitos hinos colecionados em um volume chamado “Cânticos Espirituais” e que contém, entre outros, o hino atual: “É mesmo assim”. A tradução para o português foi feita pelo Sr. Stuart E. Mc Nair (1867-1959). A música é de William Herbert Jude (1851-1922).

Por Edgard de Almeida

Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL2 – Edições Cristãs

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