467. GRANDIOSO ÉS TU
“Grande é o SENHOR e digno de ser louvado; sua grandeza não tem limites.” Sl 145:3

Horatio Gates Spafford (1828-1888)
Trad. 1ª à 4ª estrofes e estribilho: Stuart Edmund McNair (1867-1959)
5ª Estrofe: Agnes Maxwell Penna (1939 –   )
VILLE DU HAVRE
Philip Paul Bliss (1838-1876)

1. Senhor, meu Deus! Contemplo, extasiado,
O Teu poder na vasta criação;
Ouço o trovão, o céu vejo estrelado
E, em tudo, vejo a Tua forte mão!

Então minha alma canta a Ti, Senhor,
Grandioso és Tu! Grandioso és Tu! (bis)

2. Quando, a vagar nas matas, ou nos montes,
Das aves ouço o alegre gorjear,
Quando, nos vales, entre lindas fontes,
Da brisa sinto o suave refrescar,

3. E, ao meditar no Deus que tanto amou-me,
Que nem ao próprio Filho quis poupar
E, em como Cristo, por amor salvou-me,
Na dura cruz morrendo em meu lugar,

4. E, quando Cristo, em glória regressando,
Levar-me ao lar, que gozo eu sentirei!
Adoração humilde a Ti prestando,
Grandioso és Tu, meu Deus, eu cantarei!

     A história deste hino começa na Suécia. Seu autor, Carl Boberg (1859-1940), nasceu em Monsteras, na costa sudoeste da Suécia.

     Seu pai era carpinteiro num estaleiro de navios, e sua casa dava bem para o estuário do rio Monsteras. Carl converteu-se aos 19 anos de idade. Num certo domingo, quando ia para a reunião, encontrou-se com alguns jovens pouco mais velhos do que ele, os quais insistiam para que fosse jogar em sua companhia e de algumas garotas amigas. Carl, que esperava encontrar, na reunião, o pregador que anteriormente tinha tocado profundamente em seu coração, não querendo perder o seu novo irmão, não aceitou o convite dos amigos.

     A mensagem do pregador, naquele domingo, sobre o pecado e a graça foi direta ao coração de Boberg. Após a reunião, todavia, vagueou de um lado para o outro sob profunda convicção de pecado, a tal ponto que, ao chegar em uma campina, caiu de joelhos e confessou-se um pecador irremediavelmente perdido.

     Neste estado de espírito buscou o perdão, orando dia e noite, até que, ouvindo um menino tentando aprender de cor o versículo de João 14.11, que dizia: “Tudo quanto pedirdes em Meu Nome Eu o farei”, a sua constante repetição fez com que ele compreendesse a verdade e assim encontrasse perdão e paz, simplesmente aceitando as palavras de Cristo.

     Seguiram-se, então, dois anos de estudos na Escola Bíblica e, antes de alcançar os seus 22 anos, Carl tornou-se um pregador. A princípio sofreu muitas zombarias, mas mais tarde tornou-se um apreciado pregador, escritor e poeta.

     Assim, quatro anos mais tarde, no verão de 1885, Boberg escreveu o poema “O Store Gud”, que conhecemos como “Quão Grande és Tu”, e que foi publicado pela primeira vez em “A Folha de Monsteras”, no dia 13 de março de 1886. De 1890 até 1916 Boberg foi editor de um semanário cristão, “Testemunho da Verdade”. De 1911 até 1924 foi representante de sua cidade no Parlamento Sueco. Sofreu, porém, um derrame em 1937, o qual paralisou o seu lado direito, vindo a falecer em 1940.

     O Sr. Oscar Levgren, da Aliança Missionária Sueca, visitou Boberg, em 1938, em sua própria casa e ouviu dos seus próprios lábios a sua experiência como poeta e escritor.

     Num dia quente de verão de 1885, Carl Boberg e outros da sua cidade foram a uma reunião que se realizaria a duas milhas ao sul de Monsteras. De volta para casa, desabou uma tempestade; os raios riscaram os céus e os ventos sopraram sobre as plantações. Em apenas uma hora a tempestade cessou e o arco-íris apareceu! Chegando em casa, Boberg abriu a janela e viu o estuário que ficava em frente à sua casa, como se fosse um límpido espelho. Boberg repetiu, então, baixinho, os versos de Nicander: “Bem vinda, ó brilhante tarde;/ Bem vinda, calma e linda”.

     Da outra banda do rio ouviu o canto dos pássaros no bosque. Tinha havido um funeral naquela mesma tarde e, de longe, podia ser ouvido o repicar dos sinos, na quietude daquele entardecer. A atmosfera e a beleza da paisagem tocaram a mente poética de Boberg e ali encontrou expressões para escrever o hino que hoje conhecemos como “Quão Grandioso És Tu”.

     Alguns anos mais tarde o autor daquela poesia assistia a uma reunião numa pequena província, quando viu, surpreso, a congregação cantando a sua poesia com a música de uma antiga melodia sueca! Em 1891, Boberg, sendo editor de um daqueles periódicos, publicou o seu hino com aquela música.

     Em 1927 foi publicado em Moscou, num hinário russo, o “Kimvale” (Címbalos), com a seguinte nota: “Traduzido por I. S. Prokhanoff”. Depois de ter passado por novas versões em inglês, na Inglaterra e na Nova Zelândia, na década de 50, o hino foi largamente usado e hoje é muito conhecido em todo o mundo!

É interessante notar que já em 1910 este hino havia sido traduzido para o português, pelo ilustre hinólogo Dr. João Gomes da Rocha (1861-1947), tradutor de inúmeros hinos, e foi publicado no hinário “Louvores”, em 1938, pelo Centro Brasileiro de Publicidade Ltda.

     Há uma outra letra, em português, traduzida pelo Sr. Luiz Soares (1930- ), da versão em inglês, feita pelo Sr. S. W. Keene Hine (1899- ), e que consta no hinário “Hinos e Cânticos”, nº 457, com o título: “GRANDIOSO ÉS TU”.

Por Edgard de Almeida

Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL2 – Edições Cristãs

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