47. VIDA POR UM OLHAR
“Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão.” João 10:28
| Amélia Matilda Hull (1825-1882) Trad. Antônio Ferreira de Campos (1866-1950) |
LATAKIA Edward G. Taylor (1830-1887) |
1. Terás vida em olhar pra Jesus, Salvador;
Ele diz: “Vida eterna Eu te dou”;
Pois então, pecador, considera esse amor,
Vê Jesus que na cruz expirou.
Estribilho
Vê, vê, viverás!
Terás vida em olhar pra Jesus, Salvador;
Ele diz: “Vida em Mim acharás!”
2. Terás vida em olhar pra Jesus, Salvador;
Sangue Seu derramado Ele tem;
Paga está nossa falta; não haja temor;
Por olhar, pecador, vida vem.
3. Terás vida em olhar pra Jesus, Salvador;
Não há choro, remorso, nem dor
Que consiga remir a qualquer pecador;
Só o sangue do bom Redentor.
4. Terás vida em olhar pra Jesus, Salvador;
Ele tudo por ti já sofreu.
Deus estende o convite ao maior transgressor;
Vê Jesus que por ti padeceu!
5. Terás vida em olhar pra Jesus, Salvador;
Ele diz: “Vida eterna Eu te dou”;
Nunca perecerás, crendo em Cristo, o Senhor;
Segurança em Jesus gozarás.
Lemos em 1 Co 1.26, que “… não foram chamados muitos sábios segundo a carne…, nem muitos de nobre nascimento”, mas assim mesmo, Deus, na Sua maravilhosa graça, visita, às vezes, tais famílias com a Sua Salvação. A família Hull, de Devon, Inglaterra, foi um exemplo dessa divina intervenção. Era uma família nobre, de renomada tradição, que vivia em Marpool Hall, nas cercanias de Exmouth. Apesar de nada mais existir da antiga casa, a qual foi substituída por um parque público, permanece ainda, naquela parte da Inglaterra, alguma memória dos Hulls, de Marpool Hall.
Amélia Matilda Hull nasceu no dia 30 de setembro de 1812 e era a mais nova dos onze filhos de William Thomas e Harriot Hull, de Marpool Hall. Seu pai era um capitão militar aposentado. Pouca coisa se sabe da vida particular de Amélia, a não ser a história da sua conversão. Aliás, as circunstâncias daquele grande evento são tão cheias de interesse e tão inexplicavelmente ligadas ao surgimento deste amável hino, “Vida por um olhar”, que vale a pena conhecer a sua história.
Consta que Amélia ouviu o Evangelho pela primeira vez quando tinha vinte anos de idade. Um evangelista visitante armou a sua tenda próximo à casa de sua família e toda a vizinhança foi convidada a vir e ouvir o Evangelho.
Uma noite Amélia aventurou-se a ir. Esgueirou-se na parte de trás da tenda e ouviu com bastante atenção o Evangelho de Jesus Cristo. Seu coração ficou sobremodo abalado. Quando voltou para casa contou ao seu pai onde havia estado e ele ficou furioso. Disse-lhe que ela não devia associar-se com aqueles “crentes” e que aquelas reuniões não eram dignas de alguém de posição elevada como ela. Ao mesmo tempo, proibiu-a de voltar a assistir àquelas reuniões.
Contudo, o coração de Amélia já havia recebido as gotas da água viva e ela estava sedenta por ouvir mais. Sentiu que devia voltar apesar da proibição imposta por seu pai e foi assistir à reunião seguinte. A mensagem foi baseada em João 3.14-15, onde o Senhor menciona o levantamento da serpente de metal no deserto e a cura que recebiam as pessoas que, mordidas pelas serpentes verdadeiras, levantassem o olhar para a serpente de metal. Naquela mesma noite Amélia olhou, pela fé, para o Cristo do Calvário e foi salva por toda a eternidade.
Quando regressou ao lar deparou com a fúria de seu pai. Este, com indisfarçável ira, levou-a até à biblioteca, onde repreendeu-a severamente pelo que fizera e ordenou-lhe que ali comparecesse novamente às 9 horas do dia seguinte a fim de apanhar de chicote. Amélia, muito perturbada retirou-se para seu quarto sentindo-se muito triste por ter causado dissabor a seu pai, mas ao mesmo tempo gozava profunda alegria pela salvação de Deus que inundara a sua alma.
Pela manhã, pensando nos acontecimentos do dia anterior – tudo quanto se passara naquela reunião e, sobretudo, a grandiosa mensagem que ouvira e que lhe trouxera paz, sentou-se e foi deixando extravasar sobre um pedaço de papel os sentimentos do seu coração. Assim que o relógio bateu 9 horas dirigiu-se ela à biblioteca levando consigo o referido pedaço de papel. Lá estava seu pai e, sobre a mesa, o chicote. Ela entrou, entregou ao pai o papel e ficou esperando. O capitão W. T. Hull ficou de pé e, enquanto lia a composição de Amélia, algo extraordinário aconteceu. Uma notável mudança. O pai de Amélia sentou-se e enfiou o rosto entre as mãos. Através da leitura daqueles versos Deus falou ao coração daquele homem fazendo-o sentir-se totalmente arrasado. Desapareceu de sua mente qualquer pensamento de bater em sua filha. Pelo contrário, naquela manhã, ali na biblioteca, o capitão Hull viu e foi ao encontro do Salvador de Amélia.