588. AO MEDITAR
“E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” Fp. 2:8

Isaac Watts (1674-1748)
Adap. José Ilídio Freire (1892-1987)
ROCKINGHAM
Edward Miller (1731-1807)

1. Ao meditar, Jesus Senhor,
Na Tua amarga cruz por mim,
Com gratidão e com louvor
Celebro a Quem me amou assim.

2. Mas como, ó Salvador, contar
O amor que foi à cruz por mim?
Não poderá ninguém sondar
A dor de Quem sofreu assim.

3. Pecado meu Te fez sofrer
De Deus o desamparo ali;
Mas mesmo pelo Teu morrer
Pudeste vida dar-me em Ti.

4. ‘Té que contigo vá gozar
O fruto dessa cruz, Senhor,
Que aqui Tu possas sempre achar
Em mim agrado e vero amor.

     O autor deste hino é considerado o mais importante da hinologia inglesa, tanto pela quantidade de hinos que escreveu, cerca de seiscentos, como também pela alta qualidade espiritual dos mesmos. De físico franzino, como o apóstolo Paulo, e muito doentio, era, contudo, dotado de irresistível fibra.

     Muito precoce, bem cedo revelou os seus extraordinários talentos. Para se ter uma idéia, Isaac Watts começou a estudar latim aos quatro anos de idade, grego aos nove, francês aos onze e hebraico aos treze! Grande amante da poesia, logo começou a versejar e tudo quanto falava, fazia-o em versos.

     Seu pai, um comerciante em Southampton, Inglaterra, cansado de ouvi-lo falar em rimas, ameaçou até espancá-lo para que parasse com aquilo, mas o garoto, entre lágrimas e soluços, exclamava: “Pai meu, tem piedade de mim,/ Nunca mais rimarei assim”!

     Logo aos quinze anos de idade, o jovem Isaac dedicou seus talentos também aos trabalhos da igreja. No seu tempo, na Inglaterra, os cânticos na igreja eram limitados à repetição dos salmos do Velho Testamento, cantados, linha por linha, por um dirigente e repetidos pela congregação.

     Isaac achava aquilo muito monótono e dizia: “Os cânticos em louvor ao nosso Deus devem ser a parte mais sublime da nossa adoração, mas o que estamos fazendo é o pior que se pode fazer na terra”. A isto, seu pai respondeu: “Jovem, dê-me alguma coisa melhor”! Isaac aceitou o desafio e logo desenvolveu o seu trabalho com eficiência tal, que veio a ser considerado “O pai da hinódia inglesa”.

     Watts é um dos mais antigos autores de hinos sacros, pois nasceu no século XVII, a 17 de julho de 1674, em Southampton, Inglaterra, e faleceu em 1748, aos 74 anos de idade.

     Seus últimos 36 anos foram de enfermidade e fraqueza física, mas isso de modo nenhum o impediu da realização da sua obra, antes contribuiu para que ele se empenhasse com mais afinco em suas tarefas. Ele pôde dizer como disse o apóstolo Paulo: “Quando estou fraco, então sou forte”.

     edd Smith, um dos membros da Cruzada Billy Graham, escreveu o seguinte a respeito deste hino: “Tenho a impressão de que Isaac Watts, quando escreveu este hino, parecia estar ao pé da cruz de Cristo, juntamente com o apóstolo João, a mãe de Jesus e a multidão estarrecida. Quando canto este hino procuro fazer minhas as palavras de Isaac Watts. Com ele posso compartilhar o inacreditável assombro daquela cena – o Rei dos reis pregado na cruz em prol dos pecadores. Jesus, morrendo por mim. Pois foram os meus pecados que levaram Jesus àquela terrível cruz. E a minha voz foi uma daquelas que gritaram perante Pilatos: ‘Crucifica-O, crucifica-O!’ Minhas mãos, tal como as mãos dos soldados romanos foram as que pegaram o martelo e cravaram os pregos nas mãos e nos pés do meu Jesus”.

     “Então, ainda na minha contemplação, vejo o sangue das Suas feridas mostrando-me, como o hino sugere, os Seus sofrimentos e, também, por causa do Seu grande amor por mim!”.

     “Como pode alguém, permanecer insensível diante das palavras do apóstolo Paulo: ‘Longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo’?”

     E exatamente isso o que dizem a segunda e a terceira estrofes do nosso hino. É, realmente, emocionante pensar nisto.

     A letra que aqui temos, é uma adaptação feita, em português, pelo saudoso irmão José Ilídio Freire, (1892-1987), por sinal, muito linda e merecedora de que façamos nossas as suas palavras, todas as vezes que as cantamos.

     A música “Rockingham” é de Edward Miller (1731-1807).

Por Edgard de Almeida

Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL2 – Edições Cristãs

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