86. A CRUZ DE CRISTO
Arrebatamento da Igreja
“Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele,
fôssemos feitos justiça de Deus.” 2 Co 5:21
| Manuel Avelino de Souza (1886-1962) | DELIVERANCE William Augustine Ogden (1841-1897) |
1. Pendurado foste, ó Senhor Jesus,
Numa cruz, exposto ao desprezo, assim;
Cena que a pensar muita gente induz;
Sofreste tanto! E sei que foi por mim.
Tu, Jesus, vieste me salvar! (bis)
Eu confio em Ti, Teu amor senti;
Sofreste tanto! E sei que foi por mim.
2. Sangue Teu verteste pra me salvar;
Deste Tua vida, meu Redentor.
Sei que tudo foi pra me resgatar;
Sofreste tanto! Eu creio, ó meu Senhor!
3. Tua morte veio me libertar;
Quão sublime a prova do Teu amor!
Esse amor, oh, quem poderá sondar?
Sofreste tanto! Eu creio, ó Salvador.
4. Toda a maldição do pecado meu
Tu levaste, ó Cristo, no Teu amor.
Gozo paz; sou feito um herdeiro Teu;
Sofreste tanto! Eu creio, ó meu Senhor
Até aqui temos apresentado fatos relacionados com a história dos hinos. Temos contado como e em que circunstâncias muitos dos hinos tão cantados hoje em nossas igrejas foram escritos. Demos alguns dados sobre as vidas dos seus autores e compositores recordando os belos tempos quando os servos de Deus eram movidos a escreverem aquilo que lhes ia na alma.
Nesta oportunidade queremos apresentar uma das histórias que um hino contou! Trata-se do hino cujo título é “A cruz de Cristo”, escrito, em português, pelo Sr. Manuel Avelino de Souza (1886-1962) e cuja música é do Sr. William A. Ogden (1841-1897).
Viveu, em São Paulo, Capital, a mui estimada serva do Senhor, a irmã Dna. Maria Andrade Lopes, que foi uma das primícias do Trabalho do Senhor, iniciado em S. Paulo, pelo saudoso Sr. Edward Hollywell, em companhia do irmão, também missionário inglês, Sr. Frederico W. Smith.
Dna. Maria, de origem lusitana, veio para o Brasil lá pelos idos de 1914. Era mãe do estimado irmão, Sr. Armando Marques.
Dna. Maria Lopes professava a fé católica romana e, conforme ela mesma diz, “não foi fácil deixar a sua religião e aceitar o Senhor Jesus Cristo como o seu único Salvador”. Contou-nos que ouvira a pregação do Evangelho, pela primeira vez, quando alguns irmãos da igreja de Vila Clementino, São Paulo-SP, pregavam ao ar livre, próximo de sua casa.
Convidada mais tarde, para assistir às reuniões na Casa de Oração, relutou a princípio; mas, uma vez chegando, gostou e começou a frequentar regularmente. Fazia, como muitos outros irmãos patrícios, longas caminhadas para atingir o local da Casa de Oração, mas o fazia com gozo e satisfação.
Certo dia chegou a sua vez de ouvir o apelo ao seu coração. Achava que era crente no Senhor, mas faltava-lhe a coragem para testificar do seu Salvador. Seu marido não era crente e muito fez para tentar impedi-la de seguir a Cristo.
Certa noite, quando o missionário Sr. Edward Hollywell, após a pregação que muito tocou o seu coração, fez o apelo da seguinte maneira: separou, com o sinal de sua mão, a congregação em duas alas, dizendo que, assim como o Senhor vai separar os bodes das ovelhas, na Sua segunda vinda, assim, também, os que estavam à direita, seriam salvos; os que estavam à esquerda, porém, estariam perdidos para sempre! E Dna. Maria, estava justamente no lado esquerdo!
O missionário anunciou, então, que a congregação iria cantar o hino que estamos comentando, “A cruz de Cristo”, e, entre o cântico de cada estrofe, ele renovava o apelo, pedindo para que quem quisesse entregar-se a Cristo, ficasse de pé ou levantasse apenas o seu braço.
Diz Dna. Maria que foi resistindo, resistindo, após a 1ª, a 2ª e a 3ª estrofes. Parecia-lhe que alguma força irresistível a segurava presa ao banco. Queria se entregar a Cristo, mas não podia. Mas quando cantavam as últimas duas linhas da 4ª estrofe: “Gozo paz, sou feito um herdeiro Teu,/ Sofreste tanto! Eu creio, ó meu Senhor”, não pôde mais resistir e, entregou-se, naquele mesmo instante, a Cristo!
Desde então sempre foi uma fiel e muito ativa serva do Senhor. Tinha uma grande paixão pelas almas e dizia, ainda, com a sua longa idade, que desejava ter forças para fazer visitas e levar outros a Cristo. Ela mesma orou durante 36 anos pela conversão do seu esposo, e conseguiu!
Sigamos o exemplo da irmã Dna. Maria Andrade Lopes, que já está com o Senhor, na Glória!
Por Edgard de Almeida
Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL2 – Edições Cristãs