99. OUVI O SALVADOR
“…Eu os conduzirei às correntes de água por um caminho plano, onde não tropeçarão…” Jr 31:9
| Horatius Bonar (1808-1889) Trad. Mary Hoge Wlardaw (1855-1934) | VOX DILECTI John Bacchus Dykes (1823-1876) |
É muito interessante o hino que a seguir apresentamos. As três estrofes começam com o que o autor diz que ouviu; em seguida, ele dá a resposta. Notem bem os diletos leitores as lindas expressões em cada verso:
Ouvi o Salvador dizer:
“Vem descansar em Mim,
E no Meu peito encontrarás
Consolação sem fim”.
É a expressão de Cristo, citada por Mateus, no capítulo 11 e versículo 28 do seu Evangelho! O autor se identificou bem com o seu Senhor e Mestre, como fez o Salmista, para, em seguida, exprimir a sua própria decisão e mostrar os resultados!
Vim a Jesus e Lhe entreguei
Meu triste coração;
Abrigo, gozo e paz achei,
Achei consolação.
Leia o caro leitor novamente estas palavras, mas meditando nelas! O segundo verso diz:
Ouvi o Salvador dizer:
“De graça eu sempre dou
As águas vivas. Vem beber;
Da vida a Fonte Eu sou”.
Foi o Senhor Quem disse: “Quem beber desta água tornará a ter sede; aquele, porém, que beber da água que Eu he der será nele uma fonte a jorrar para a vida eterna” (João 4.13-14).
E o autor do hino nos conta:
Vim a Jesus e me prostrei
Às águas e bebi;
Jamais a sede sentirei,
Estando sempre ali.
A terceira estrofe diz-nos:
Ouvi o Salvador dizer:
“A luz do mundo sou;
Oh! Vem a Mim, pois quem vier
Terá a luz que dou”.
Foi Ele mesmo Quem disse essas palavras a todos os que desejarem ver: “Eu sou a luz do mundo; quem Me segue não andará nas trevas, pelo contrário terá a luz da vida” (João 8.12).
Ao que o autor do hino responde:
Vim a Jesus e nEle achei
O sol que brilha em mim;
E nessa luz caminharei
Até da vida o fim.
Realmente, Cristo é o Sol da justiça. “Mas para vós que temeis o Meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas; saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria” (Malaquias 4.2).
E assim, o autor do hino experimentou, com indubitável bênção, a luz permanente do Senhor “até da vida o fim”.
Quem escreveu essas palavras foi o devotado ministro do Evangelho, o Dr. Horácio Bonar, que viveu nos anos 1808-1889. Nascido em Edimburgo, na Escócia, sagrou-se ministro do Evangelho aos trinta anos de idade.
Conta-se que este consagrado servo de Deus passava muitas horas em oração; estava sempre visitando os crentes, ou pregando, ou escrevendo. Dizem também que o Dr. Bonar escreveu esse hino baseado nas Escrituras citadas e, principalmente, no versículo 16 do Evangelho segundo João, capítulo 1: “Porque todos nós temos recebido da Sua plenitude, e graça por graça”.
A linda música, que se casa perfeitamente com as palavras e o sentido do hino, foi escrita pelo Dr. João Bacchus Dykes (1823-1876), da Universidade de Cambridge, Inglaterra.
Diz-se também que ele muito se esmerava na composição da música para cada hino, tendo em vista a sua perfeita combinação com o sentido do mesmo. Assim, como podem os leitores verificar, cada estrofe desse hino começa com um convite em uma escala chamada “menor” e, depois, por motivo de grande alegria, sendo o convite aceito, e termina em escala “maior”!
A tradução, para o português, bem fiel ao original, foi feita pela Sra. Mary Wardlaw.
Por Edgard de Almeida
Extraído do Livro HISTÓRICO DOS HINOS – VOL1 – Edições Cristãs